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TUPINAMBÁ

A ALMA DA TERRA

 

O espetáculo Tupinambá – A Alma da Terra, leva ao palco a responsabilidade de rememorar o encontro do índio com o negro, do ponto de vista deles. Difícil descrever com palavras. E essa é sua razão de existir. Aquilo que nós precisávamos falar, não cabia somente em palavras. Precisava do tambor, precisava do canto, precisava do grito, da dança e do outro que escuta. É uma obra que fala do lugar do silenciado, arte que celebra o que foi oprimido, que rememora o que foi esquecido: nós, descendentes de negros que vieram da África em navios negreiros, e dos povos originários da América, merecemos respeito!

Mais do que um intercâmbio entre linguagens artísticas, mais do que uma mistura de ritmos, uma dialética entre culturas, uma simbiose de experiências e visões de mundo, nosso espetáculo é miscigenação: reflexo do que fomos feitos, daquilo que fizeram de nós e daquilo que somos, apesar de tudo: do desrespeito, do esquecimento, do racismo, da violência, do silenciamento.

“Sou mistura de índio com negro

Minha alma na mata se encanta

Não tem nó que eu não desate

Meu laço é de esperança”   

(Pollyanna Aires)

Nossa fábula conta a nossa história: a história de negras e negros guerreiros, índias e índios guerreiros, canta sua beleza, suas façanhas, seus poderes e suas derrotas. Demos voz a nossa ancestralidade e dela deixamos brotar aquilo que mostramos no palco: o que temos de melhor em nós.

A beleza das composições musicais autorais, com ritmos e letras que evocam cantos ancestrais, produz algo híbrido e especial. A riqueza de detalhes da encenação evidencia a exigência técnica do espetáculo. A teatralidade hora é lúdica – convida o espectador a entrar em um universo místico; hora é contundente e avassaladora – com palavras que impulsionam e fazem coro à força feminina que se vê no palco.

O movimento dos corpos é ritual. Coloca a plateia em um estado de suspensão, de estar observando algo mágico. Proporciona um arrebatamento, um quase êxtase. Traz ao espetáculo a atmosfera de encanto, algo que está presente no fazer artístico e no sagrado.

As quatro vozes que contam essa história assumem uma função política: é na palavra que As Iyagbás tem ainda mais força. Nosso canto e nosso grito afirmam as culturas formadoras da nação brasileira, exaltam as raízes populares, a força do feminino, do negro, do índio.

Tupinambá – A Alma da Terra é teatro, música, dança, ritual e militância. É a voz que vem da margem e não pode mais ser contida.

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