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Carinhoso apelido dado pelos amigos há alguns anos, LETRUX, como ficou conhecida no país após o lançamento do seu primeiro disco solo, EM NOITE DE CLIMÃO (Joia Moderna, 2017), a escritora, cantora, compositora, poeta e atriz Letícia Novaes é um dos nomes de maior destaque no cenário da música independente contemporânea.

 

Eleito Melhor Disco de 2017 pelo Prêmio Multishow e acumulando excelentes posições em praticamente todas as listas de Melhores Discos do mesmo ano, o álbum também lhe rendeu o prêmio de Melhor Produção, pelo júri do Women Music Event, e a indicação a Melhor Disco de 2017 pelo prêmio da revista Bravo!.

 

O disco, que impulsionou o nome de Letrux para um lugar privilegiado na cena indie-pop nacional, começou a ser pensado em 2015, em parceria com o tecladista Arthur Braganti, espécie de “irmão de alma” da artista. Inspiradas em suas muitas musas, Letícia criou a persona Letrux para contar a história de uma desastrosa saga romântica, repercutindo observações pessoais, e os anseios causados pelo grande retrocesso reacionário que vem eclipsando o planeta. Aliás, Letícia é bastante intuitiva e exercita seu lado místico, sobretudo os estudos de astrologia, habilidade que desenvolve há tempos.

 

“Sou uma pessoa atraída pelo tragicômico e o mundo tem sido uma noite de climão eterna nos últimos anos. Quis dar atenção a uma música mais cheia de névoa e mistério e, ainda assim, dançante e divertida – porque precisamos sobreviver”, sublinha. “Sou capricorniana e tenho um lado muito sério, responsável, compromissado, mas também adoro me divertir, delirar, falar besteira e dar risadas. Gosto desse meio do caminho e acho que a Letrux entrega isso pro público”, diz.

 

Nessa entrega, há altas doses de disco music e new age, elementos adicionados com a colaboração da guitarrista Natália Carrera, coprodutora do disco. Com quatro clipes na web e mais dois por vir, a turnê de EM NOITE DE CLIMÃO vem lotando os teatros e festivais por onde passa, com apresentações catárticas em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e no Rio de Janeiro, onde tudo começou.

 

Todo esse sucesso não é por acaso: em tons de vermelho – das luzes, passando pelos figurinos e chegando ao cenário -, os shows inflamam os fãs, que muitas vezes cantam até mais alto do que a própria Letrux, que adora ser carregada pela multidão nos shows mais abarrotados, sendo levada pela plateia, e depois devolvida ao palco, pelos braços do público desde a estreia no Circo Voador. Letrux explica como concebeu o espetáculo:

 

“Queria resgatar algo da minha atriz. Escrevi dois textos que falo durante o show. Eles mudam, claro, conforme a dinâmica do show, mas a escolha do set list também representa uma historinha, e convidamos todos a embarcar na trajetória dessa heroína. Os últimos anos foram muito simbólicos em relação a tudo, então, se escolho usar vermelho, uso como uma força, como afirmação, como paixão, como sangue. Estamos sangrando, mas estamos vivos e ainda apaixonados. Por que ou por quem não importa, mas ainda tem paixão correndo nas nossas veias e por isso estamos aqui. Os antúrios que espalho pelo palco, e que são flores hermafroditas, simbolizam as forças feminina e masculina que temos na nossa banda, nas próprias músicas, yin e yang sempre presentes de alguma maneira”.

 

Para Letícia Novaes, o crédito de “escritora” deveria vir na frente de todos os outros por conta da sua forte ligação com a literatura. “Me acho muito mais escritora do que cantora, mesmo que não viva disso. Minha base é a literatura. Escrevo todo dia, mas não canto todo dia, sabe?”. Uma pequena parte desses escritos está publicada no seu livro de estreia, “Zaralha – Abri minha pasta” (Editora Guarda-Chuva, 2015), no qual ela apresenta poemas e lembranças muito antigas, como trabalhinhos da escola e fotos da família nos anos 80.

 

Ela começou a escrever frases e poemas desde alfabetização, e já criava melodias para essas anotações. Na infância e na adolescência, se divertia em frente ao espelho, dublando as músicas que aprendia. Até que, aos 19 anos, junto com os estudos de teatro, resolveu aprender violão – pela internet! (Vale destacar com canetinha colorida que Letícia domina as redes como poucas artistas). E, assim que treinou alguns acordes, no lugar de emular clássicos da MPB, Letícia começou a compor e cantar para o entusiasmo dos amigos, que sempre pediam mais. Nascia uma estrela!

 

Atriz com peças e longas-metragens no currículo, foi na música que Letícia encontrou o seu verdadeiro caminho artístico. Depois de alguns anos de experimentalismo, em 2008 ela e o músico Lucas Vasconcellos, com quem foi casada até 2014, formaram o elogiado duo LETUCE, que lançou três álbuns (PLANO DE FUGA PRA CIMA DOS OUTROS E DE MIM, de 2009; MANJA PERENE, de 2012; e ESTILHAÇA, de 2015) e firmou o seu nome no panorama independente da última década. Também em 2015 montou o show-cênico TRU & TRO COM SUA CORJA: DESFRUTE OU FRITE, projeto desenvolvido com o supracitado Braganti, músico que também reforçou o instrumental da Letuce.

 

Flutuando no salão e surfando na onda do CLIMÃO, Letrux está com uma respeitável agenda de shows neste 2018. Entre tantas viagens e apresentações, compôs as trilhas sonoras originais de uma peça (“Vai funcionar de alguma forma”, em cartaz no Oi Futuro) e de uma série de TV (“Desnude”, dirigido por Carolina Jabor, exibida pelo GNT), e já começa a preparar o seu próximo livro. Alerta e sensível às questões sociais de nosso tempo, Letícia ainda dedica parte do seu tempo para acompanhar e apoiar causas como as lutas pela igualdade de gêneros, e contra o racismo e a homofobia.

 

Letrux é uma artista que nunca vai passar batida na festinha. Bota na tua cabeça que isso aqui vai render.

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